23/03/2009 13:03

Sports Marketing: As Novas Regras do Jogo

Este é o primeiro texto no âmbito da minha colaboração com a SCN Sportcanal. Fui desafiado pelos responsáveis deste meio de comunicação social desportivo a ir apresentando algumas reflexões sobre o marketing desportivo.

Aceitei pela gentileza e pelo reconhecimento do trabalho que a SCN tem feito em prol do desenvolvimento do desporto em Portugal. Nos próximos meses terei oportunidade de apresentar as minhas ideias sobre este tema. Tenho esperança que mais pessoas se interessem pelo marketing desportivo. O desporto português precisa.

 

Regressando ao marketing e ao desporto constatamos facilmente que as coisas mudaram muito nos últimos anos. Se recuarmos apenas 10 anos verificamos que em finais dos anos 90 assistimos ao lançamento da SportTV em Portugal; ao auge da Liga de Clubes de Basquetebol, a um patrocinador principal do Benfica que chamava Telecel, a que as estrelas desportivas da altura não eram as mesmas de hoje (Nuno Marques, Domingos Castro, Vítor Baía, Carla Sacramento, Carlos Lisboa ou Joaquim Gomes), o prize-money do Estoril Open era de 112.500 contos, o equipamento alternativo do F.C do Porto era cor de laranja, a Infordesporto dominava a informação on-line e a França acabava de se sagrar Campeã Mundial de Futebol.

Na altura ninguém sabia quem era o Cristiano Ronaldo ou imaginava que Portugal organizaria anos mais tarde um Campeonato da Europa de Futebol. Que dez anos mais tarde existiria uma SportTV 3. Que existiriam fenómenos como o youtube, google ou wikipedia. Que iríamos comprar música on-line para ouvir no nosso ipod. Que podíamos ver instantaneamente os golos da nossa equipa no telemóvel em qualquer lugar. No fundo, que o nosso dia-a-dia em 2009 fosse tão diferente de 1999. 

 

A forma como a sociedade vem alterando os seus hábitos tem naturalmente consequências no mundo do desporto. Se tentarmos fazer uma radiografia ao actual estado do desporto em Portugal encontramos aspectos bastante positivos e outros que nos fazem pensar em medidas correctivas necessárias. Vale a pena avaliar cada um destes aspectos de forma a podermos entender como podemos gerir eficazmente uma organização desportiva.

 

Em termos positivos podemos enumerar inúmeros aspectos relacionados com a actividade desportiva em Portugal. Comecemos pela dimensão. Os cerca de 500.000 atletas federados, distribuídos por mais de 9.000 clubes em 80 modalidades são valores demonstrativos da força do desporto no nosso país. Adicionalmente, a existência de 3 canais de televisão, 3 jornais diários desportivos e dezenas de sites especializados ajudam a perceber a importância e visibilidade que o desporto tem.

Apesar de algumas excepções o país vive nas suas modalidades uma estabilidade competitiva, um envolvimento forte do estado e uma formação desportiva de grande qualidade, principalmente ao nível universitário. Estas opções têm sido apoiadas por um parque desportivo de enorme qualidade e a promoção regular de grandes competições internacionais. Por último, apesar de nos saber sempre a pouco, para um país da nossa dimensão, temos resultados desportivos verdadeiramente notáveis.

 

Existem, no entanto, naturalmente vários aspectos no desporto português que devem ser alvo de melhoria. Vezes demais existe um discurso negativo à volta do desporto, seja devido a regras, arbitragens, sorteios, financiamento ou meros jogos de poder. Existe ainda uma mistura explosiva entre a política e o desporto com contornos pouco claros, onde alguns dirigentes desportivos, para além do mediatismo excessivo, se eternizam nos seus cargos.

Apesar das 80 modalidades, o fenómeno da “futebolização” é evidente como se pôde verificar pela exagerada cobertura mediática do último campeonato europeu de futebol em 2008. O envolvimento do estado transforma-se, por vezes, em dependência de subsídios, normalmente decorrentes de pressões entre o mundo da política e o mundo do desporto. Finalmente, fica claro que faltam ainda quadros técnicos competentes na área da gestão desportiva. Vivemos uma realidade onde muitos agentes desportivos não planeiam, vivem sem estratégia e passam o dia-a-dia a tentar vendar placas de publicidade para os seus pavilhões e estádios.

 

O mundo do desporto tem que perceber as alterações que acontecem na sociedade sobe pena de não as conseguirem acompanhar. Pensem agora na quantidade de bens e serviços desportivos que não satisfazem verdadeiramente as necessidades dos consumidores.

Publicidade